“ANASTÁCIA A RAINHA NEGRA DOS OLHOS AZUIS. UMA SANTA QUE A ÁFRICA NÃO ESQUECEU”
ORAÇÃO DA ESCRAVA ANASTÁCIA.
Vemos que algum algoz fez da tua vida um martírio,
Violentou tiranicamente a tua mocidade, vemos também no teu semblante macio, do teu rosto suave,
Tranqüilo, a paz que os sofrimentos não conseguiram
Perturbar.
Isso quer dizer: era pura, superior, tanto assim
Que Deus levou-te para as planuras do Céu e deu-te
O poder de fazeres curas, graças e milagres mil.
Anastácia pedimos-te... Roga por nós, proteja-nos,
Envolve-nos no teu manto de graças e com teu olhar
Bondoso, firme, penetrante, afasta de nós os males
E os maldizentes do mundo.
Tudo que pedimos por nosso Senhor Jesus Cristo
Na unidade do Espírito Santo, Amém.
Todas as manhãs, antes de sair para o trabalho,
Olhe para Anastácia, peça-lhe suas graças, que
Tudo correrá bem para você.
Pegue um punhado de folha de colônia, alecrim, benjoim e alfazema coloque ao sol e deixe secar, macere as folhas ate que fiquem em finas fibras, acenda carvões ate que fiquem em brasa sem fogo e jogue essa mistura. Veja a perfumada fumaça que sobe ao céu em um bailar do vento. Feche os olhos! Sinta esse aroma que encanta os deuses. Esse é o aroma da África. Tire os sapatos fique descalço na terra batida perceba que ela entranha em seus dedos, a energia sobrenatural da natureza começa a se manifestar em você, imagine que reis e rainhas, deuses e deusas já pisaram nesse local. De olhos ainda fechados ouça bem de longe o batuque dos tambores invocando seres que dançam. Sim, nessa terra os Deuses dançam. O batuque começa a ficar mais forte e seu corpo parece que não lhe pertence mais, aos poucos à África entra em você, suas pernas querem bailar, seus braços não ficam parados, seus olhos não conseguem mais se abrir e a terra, a fumaça e os tambores são as únicas coisas que você sente. Espíritos sagrados de antepassados agora te possuem.
Agora você sabe que energia habita nesse sagrado solo, rico em cultura, beleza e riqueza.
"Madalena" era o nome de seu primeiro algoz, nem homem, mulher nem animal. Este era o nome das dores, o pavor que flutuava pelos mares. Amontoado de corpos que se digladiavam por um filete de ar, ou uma gota de água. Comida não existira, pouco era dado a quem menos incomodasse açoites a uma raça que fez erguer impérios. A dor latente na pele talvez não fosse maior que a da alma. Parar e olhar para traz ver o que foi construído ser jogado ao chão, nobres e escravos misturados em meio ao suor que escorria pela pele machucada e agora sofrida e castigada. Odoya! Senhora dos mares nós leve em segurança para que a morte não nos atinja, embora seja mais digno morrer. Kâo Kabeciele Meu rei e pai Xangô que sua justiça seja feita para onde nos levarem. Atotô senhor Omolu, lave nossas feridas nos deixe sãos para uma nova vida. Adeus terra querida, adeus meu povo, meu Congo de matas verdes e vida latente.
Delmira, uma linda jovem formosa de beleza inegável desembarca nos cais do porto. Devido a sua aparência não passou despercebida foi arrematada prontamente por um branco. Um mil réis era o valor de uma vida. Indefesa é violentada e logo engravida. Seria mais uma dor para quem tanto sofreu? Não! Seria o prenuncio de que Oxalá ouvira suas súplicas. Deste ventre nascerá uma santa. Negra! Porém com olhos azuis e a bravura de Matambá. Foi em minas Gerais que tal fato aconteceu no dia 12 de maio na cidade de "Pompeu". Epahei Oya!
Anastácia, por ser muito bonita, terminou sendo, também, sacrificada pela paixão bestial de um dos filhos de um feitor, não sem antes haver resistido bravamente o quanto pôde a tais assédios; depois de ferozmente perseguida e torturada, a violência sexual aconteceu.
Apesar de toda circunstância adversa, Anastácia não deixou de sustentar a sua costumeira altivez e dignidade, sem jamais permitir que lhe tocassem o que provocou o ódio dos brancos dominadores, que resolvem castigá-la ainda mais lhe colocando no rosto uma máscara de ferro, que só era retirada na hora de se alimentar, suportando este instrumento de supremo suplício por longos anos de sua dolorosa, mas heróica existência.
As mulheres e as filhas dos senhores de escravos eram as que mais incentivavam a manutenção de tal máscara, porque morriam de inveja e de ciúmes da beleza da “Negra Anastácia”. (Onde o seu espírito, combate a inveja, ciúmes e a injustiça).
Anastácia já muito doente e debilitada é levada para o Rio de Janeiro aonde vem a falecer, sendo que os seus restos mortais foram sepultados na Igreja do Rosário que, destruída por um incêndio, não teve como evitar a destruição também dos poucos documentos que poderiam nos oferecer melhores e maiores informações referente à “Escrava Anastácia” – “A Santa” (assim, é venerada dentro da Religião Afro-Brasileira), além da imagem que a história ou a lenda deixou em volta do seu nome e na sua postura de mártir e heroína, ao mesmo tempo.
Descrita como uma das mais importantes figuras femininas da história negra, Escrava Anastácia é venerada como santa e heroína em várias regiões do Brasil. De acordo com a crença popular, a Escrava Anastácia continua operando milagres.
Império da Zona Norte 2012
Carnavalesco
Rodrigo Almeida
Bibliografia
"Anastácia - escrava e mártir negra", de António Alves Teixeira (neto) da editora Eco.
quarta-feira, 14 de março de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Império da Zona Norte divulga seu enredo 2012
Com o enredo: "Anastácia. A Rainha Negra de Olhos Azuis. A Santa que a África Não Esqueceu", a Império da Zona Norte, promete da a Volta por cima de todas as adversidades que teve no carnaval que passou e aposta na história da Negra Anastácia para Sacudir a Passarela vrtual.
O culto a Anastácia, foi iniciado em 1968, quando numa exposição da Igreja do Rosário do Rio de Janeiro em homenagem aos 80 anos da Abolição, foi exposto um desenho de Étienne Victor Arago representando uma escrava do século XVIII que usava Máscara de Flandres que permitia á pessoa enxergar e respirar, sem, contudo, levar alimento á boca.
No imaginário popular, a Escrava Anastácia era uma escrava de linda e rara beleza, que chamava atenção de qualquer homem. Ela era curandeira, ajudava os doentes, e com suas mãos, fazia verdadeiros milagres. Por se negar a ir para a cama com seu senhor e se manter virgem, apanhou muito e foi sentenciada a usar uma máscara de ferro por toda a vida, só tirada ás refeições, e ainda sendo espancada, o que a fez durar pouco tempo, tempo esse que sofreu verdadeiros martírios. Quando Anastácia morreu, seu rosto estava todo deformado. Escrava Anastácia é cultuada tanto no Brasil quanto na África.
O culto a Anastácia, foi iniciado em 1968, quando numa exposição da Igreja do Rosário do Rio de Janeiro em homenagem aos 80 anos da Abolição, foi exposto um desenho de Étienne Victor Arago representando uma escrava do século XVIII que usava Máscara de Flandres que permitia á pessoa enxergar e respirar, sem, contudo, levar alimento á boca.
No imaginário popular, a Escrava Anastácia era uma escrava de linda e rara beleza, que chamava atenção de qualquer homem. Ela era curandeira, ajudava os doentes, e com suas mãos, fazia verdadeiros milagres. Por se negar a ir para a cama com seu senhor e se manter virgem, apanhou muito e foi sentenciada a usar uma máscara de ferro por toda a vida, só tirada ás refeições, e ainda sendo espancada, o que a fez durar pouco tempo, tempo esse que sofreu verdadeiros martírios. Quando Anastácia morreu, seu rosto estava todo deformado. Escrava Anastácia é cultuada tanto no Brasil quanto na África.
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